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Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

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Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Qua Out 27, 2010 10:19 pm

Bem-vindos à Terra da Magia.

Antes de tudo, o que seria um "Diário de Campanha Comentado"?

I) Será um tópico com o resumo em formato narrativo das minhas sessões, divididos em Livros e Capítulos. O nome do "Livro" será bem amplo e pouco explicativo. Porém, o nome do "Capítulo" poderá dar algumas dicas do que está acontecendo ou vai acontecer durante o mesmo.

II) Enquanto Comentado, será um diário interativo com os jogadores. Funcionará como um "termômetro" para a profundidade que posso chegar abordando cultural e/ou historicamente os termos e/ou idéias. Geralmente vou sugerir marcando em negrito. Ex.: "A metrópole em questão é uma cidade-estado regida pelo Primeiro Lorde Maalthiir" - seria sobre alguém que eu poderia traçar mais conteúdo se pedido. Mas, claro, não se atenham apenas às marcações.

Disposições Gerais:

§ 1º - Não marcarei os jogos por aqui.

§ 2º - A depender do assunto, geralmente quando sair do assunto da campanha, p. ex., "Igor, me fale sobre a personalidade comum dos halflings austeros que vivem no Mar da Lua, em especial do clã Lino da Colina do Manco-Xulo", criarei um outro tópico para responder, linkando em seguida.

§ 3º - Sintam-se a vontade para perguntar. Quanto mais interesse, mais posso explicar e me aprofundar nas questões.

Friso que SE aquele conhecimento obtido através das perguntas for usado dentro do jogo, valerá XP a ser dado na hora, sob valoração do DM, conforme Critérios de Premiação em XP.


Última edição por Jango em Dom Set 11, 2011 3:47 pm, editado 4 vez(es)
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Intrudução.

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 5:27 pm

Introdução:

Nossa jornada teve início em uma região sombria, marcada pela maldade de seus lordes obscuros, famosa pela opressão e tirania dos governantes de suas cidades independentes, e temida por muitos sulistas por suas guildas e sociedades malignas, em especial pelos Zhentarins e The Iron Throne.

Essa região chama-se Mar da Lua.


Na borda sul do mar, na Baía de Tailing, encontra-se Hillsfar.

Hillsfar é uma cidade-estado regida pelo Primeiro Lorde Maalthiir, um mago poderoso de pretensões expansionistas, que controla seus governados com um punho de ferro e sob a espada da Companhia Pluma Vermelha.


Porém, nem sempre foi assim. Nesta cidade existia um Conselho formado por homens, meio-elfos e elfos da Corte Élfica. Juntos, governavam sobre todos os aspectos citadinos, e, na época, muitas companhias mercenárias cumpriam o serviço de milícia e de exército. Ocorre que Maalthiir alimentava sonhos de cobiça, até que um dia decidiu torná-los reais. Foi com riquezas desconhecidas que ele comprou muitos dos mercenários das guildas e, com a ajuda da companhia mercenária Plumas Vermelhas, depôs o conselho. Então se auto intitulou Primeiro Lorde, tomando para si o domínio da cidade fortificada.


A cidade possui um espesso e alto muro e apenas um portão, voltado para o norte e em direção às docas. As ruas são em sua maior parte pavimentadas e úmidas, e a arquitetura é germânica.

Ainda que o Primeiro Lorde não seja maligno de coração, sua opressão é refletida na população, que se comporta de maneira introvertida. O povo é acostumado com os atos de maldade das milícias e execuções públicas, e costuma vestir-se em tons escuros.


Arte por Kio.




Última edição por Igor em Qua Nov 03, 2010 12:08 pm, editado 2 vez(es)
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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 6:04 pm

Capítulo I - "Chuva e Pontos de Vista"

Marpenoth, 1368. Outono.

Estranhamente para a época, fazia duas semanas que o tempo estava chuvoso. Isto incomodava principalmente os comerciantes do atribulado Quarteirão do Mercado e estava se tornando um sinal de mau agouro para os demais. No separado distrito das docas, a chuva criou um lamaçal nas ruas sem pavimentação, que mesmo assim continuaram movimentadas - dia e noite.

Durante a noite as ruas estavam mal iluminadas, pois alguns lampiões não podiam ser acesos. E não muitos grupos de Plumas Vermelhas patrulhavam as ruas com tochas.

Não muito distante do portão da cidade, integrantes de uma sociedade semi-secreta se encontravam em um prédio de dois andares naquele quarteirão menos abastado...



Essa sociedade era conhecida como Vigilantes da Chama. Para as pessoas de fora, era mais uma ordem fechada de Helm, e, portanto, merecedora de espaço e de um certo respeito, dada a cultura multideísta dos Reinos. Entretanto, em seu âmago ela não era o que as pessoas pensavam que era. A sociedade como um todo, sem dúvidas, possuía ideais ligados à religião Helmita - Guardar e Proteger - mas ela não se atinha aos votos religiosos e muito menos às litanias Helmitas. Seu objetivo maior era voltado à liberdade política e de autodeterminação dos povos do Mar da Lua, o tanto quanto fosse possível. Os Vigilantes da Chama mantinham células como a de Hillsfar por toda a região, de modo que a efetivação de seus objetivos fossem aos poucos alcançada como em um jogo xadrez, quando pela busca do xeque-mate.

Portanto, não necessariamente seus integrantes tinham ideais Helmitas, nem mesmo era necessário orar para a divindade. Mas era o único grupo organizado nas redondezas de que seus poucos aventureiros de bom coração ouviam a respeito, e sempre de outros combatentes da liberdade e justiça desta região tão oprimida pelos Zhentarins e outras sociedades malignas.




Primeira Sessão:

Sob a viseira de seu elmo, Lokky, um paladino devotado à Helm, observava a chuva e a todos, um a um, entrarem no salão da reunião. Todos chegaram encharcados e dependuraram suas capas próximas à porta. Uma lareira crepitava e iluminava o local.

O motivo da reunião seria um comunicado importante, depois de um longo período de silêncio, a ser enviado pelo Guardião da Chama do Sul, um clérigo Helmita. Este misterioso guardião fazia a ligação da célula da cidade com as outras ao longo do Mar da Lua. Porém, nem mesmo o paladino sabia seu nome, muito menos visto seu rosto descoberto. Ressaltava-se, entretanto, que suas cartas estavam tratando a célula cada vez mais com mais afeição - um sinal curioso para um clérigo dessa religião.

Todos esperaram um bom tempo e em silêncio.

Depois de algumas trovoadas, alguns escutaram um urro abafado e uma pancada surda na porta dos fundos. Então, o guerreiro Anton pegou sua espada de cima da mesa e uma tocha acendida na lareira, e correu para a porta de trás, quando foi acompanhado pelos olhares curiosos de quem não sabia nada além do barulho dos trovões, e por quem, por dever ou curiosidade, deveria acompanhá-lo: o paladino Lokky e a ladina halfling, Pérola. Um breve silêncio precedeu um forte relâmpago e um estrondo dos céus, quando da porta foi retirada a barra de madeira, e o peso de um corpo a empurrou da escuridão da viela dos fundos para dentro da casa. Do homem encapuzado que caira derramava um sangue quase negro, e com sua voz se perdendo, apontou uma direção e murmurou: "A carta... Ele levou a carta..."

Por reflexo, o feiticeiro gnomo Crecktill passou pelo corpo caído e olhou para fora, conseguindo ver um vulto negro virando à esquerda em uma viela abaixo na ladeira. O pequeno avisou a todos o fato e o seguiu rapidamente, temendo que o perdesse. Rapidamente o guerreiro Anton, o paladino Lokky e o mago Breath foram atrás. Daqueles que ficaram, o clérigo Tormita Sursis e a ladina Pérola notaram algo estranho escorrendo da boca do mensageiro, algo que só poderia revelar uma coisa - fora envenenado...



A rua estava escorregadia e mal iluminada. Poucas janelas possuíam a luz amarelada e dormente dos lampiões.

Logo depois da viela para a qual o vulto tinha corrido, um grupo de três Plumas Vermelhas conversava aparentemente sem notar o ocorrido e seu desenrolar.

Embora os gnomos enxergassem à noite, ela não poderia completa. E esta noite seria uma senão pelos clarões repentinos e muitas vezes silenciosos dos raios. A despeito da escuridão e da imprudência, Crecktill correu cuidadosamente até o beco e esperou pelos companheiros e por um novo clarão.

Lokky sabia que cedo ou tarde a presença do grupo chamaria a atenção do grupo miliciano, pois a iluminação produzida pela tocha de Anton se destacava naquela rua. Portanto, apertou os passos e mandou que o guerreiro e o mago chegassem logo no beco para que ele pudesse conversar com os Plumas Vermelhas.

Neste interim, durante um clarão, Crecktill teve sua curiosidade saciada - o vulto estava lá, abaixado no outro lado do beco. O clarão não só revelou que era um ser de estatura mediana e que usava trapos negros como uma capa, mas, também, que ele tinha um perseguidor - ou perseguidores...


Última edição por Igor em Ter Nov 02, 2010 7:29 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 7:05 pm

Daqueles que ficaram nos fundos do salão de reunião cuidando do mensageiro moribundo, Sursis era o único que poderia salvá-lo, curando-o através de Torm. Mas antes disso, a pequena Pérola analisou o ferimento em busca de mais informações sobre o "ladrão". Acabou chegando à conclusão que fora usada uma espada de lâmina fina e comprida, como um sabre, que atravessou de fora a fora, iniciando nas costas na altura do rim esquerdo, e que, pelo ângulo da ferida, o agressor tinha uma estatura mediana.

Certamente seria um ferimento fatal se não fosse pela intervenção do clérigo que, com suas mãos abertas e brilhantes sobre o ferimento, pediu pela cura divina. Entretanto, a cura não iria surtir efeitos duradouros se um antídoto não fosse ministrado dentro de alguns minutos ou horas, pois a mácula do veneno ainda lhe afligia. Enquanto a ladina e o clérigo apoiavam o mensageiro para que se levantasse, o último integrante da célula apenas observava: Keiichi, um monge de Kara-Tur - as longínquas terras ao oriente de Faerûn.

O mensageiro, ao tentar explicar o que ocorrera, apresentava os efeitos do veneno através de dores estomacais e ânsias de vômito - certamente um veneno forte fora usado. Disse que pouco viu, pois se guiava pelas ruas de modo a evitar os milicianos e, portanto, sem iluminação. Ao chegar na porta, disse que tudo foi rápido demais: sentiu apenas uma dor excruciante nas costas e um estranho cheiro de esgoto aberto do ser que o abordava. Depois disso, os três se entreolharam e decidiram, momentânea e silenciosamente, esperar pelo retorno do restante do grupo...



No beco, depois do clarão do relâmpago, o ser tornou a fugir, alcançando a outra ladeira na transversal, e desceu. Crecktill foi na frente, guiando Anton e Breath. A ladeira dava em uma pequena praça com um poço e algumas casas abandonadas. Muitas caixas e feno estavam espalhadas pelo chão, e muitas vielas obscuras desembocavam naquela área. Ocorre que Crecktill apontou para um dos sobrados que estava com a porta aberta e janelas pregadas com madeiras - desta vez o guerreiro tomou a dianteira, iluminando o interior abandonado e escuro da casa. Enquanto isso, o paladino alcançava seu intento, que era trazer a sua presença os milicianos. Depois de alguns argumentos diplomáticos e uma pequena mentira, o grupo de Plumas Vermelhas subiu a rua cochichando, passando rente à porta onde tudo começara. E, então, o paladino seguiu atrás dos companheiros.



O restante da companhia estava aguardando a volta dos perseguidores do "ladrão" em silêncio, quando os ouvidos da pequena halfling notaram, a despeito da chuva, algumas risadas se aproximando. Ao se abaixar próximo à janela, percebeu que os milicianos subiam a rua e falavam sobre um suposto decreto que proibiria a presença de não-humanos na cidade de Hillsfar, o que parecia agradar muito a ex-companhia mercenária - que era composta exclusivamente por humanos. Assim, apreensivos, a pequena Pérola e o monge Keiichi decidiram deixar Sursis, o clérigo Tormita, cuidando do mensageiro, e partir atrás do paladino Lokky e cia, que já demoravam um tanto além do esperado.



No sobrado, Anton tomava cuidado para não ser pego de surpresa. A única fonte de luz era sua tocha, que jogava sua luz amarela sobre os restos do que um dia foram mesas, cadeiras, tecidos e caixas. Num dos cômodos, o guerreiro e aqueles que o acompanhavam, puderam ver uma escada descendo para o que seria o porão. Os degraus rangiam e o calor da tocha queimava várias teias no teto. Descobriram, então, o suposto ponto de fuga do "ladrão" - uma passagem para o esgoto aberta, com a grade jogada ao lado. Lokky a esta altura já chegava na pequena praça na qual o sobrado se situava, e não demoraria muito para ver a única iluminação dentro do sobrado de porta aberta, uma vez que contava apenas com sua visão herdada do sangue élfico e com a luz dos relâmpagos.

Keiichi e Pérola, que traziam uma tocha, assim que viraram a curva do beco, depois de percorrê-lo, viram que o paladino acabara de entrar no sobrado, alguns metros abaixo no final da ladeira.

Anton nem esperou a anuência dos outros - logo pulou na água, que lhe alcançou os joelhos. Em seguida, o paladino chegou, que foi seguido pelo monge oriental e pela pequena ladina, encontrando o mago Breath e o gnomo se preparando para pular. Assim, todos os companheiros, com a exceção de Sursis, estavam reunidos novamente.


Última edição por Igor em Ter Nov 02, 2010 7:59 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 7:28 pm

Segunda Sessão:

Uma vez no esgoto, uma dúvida surgiu: qual caminho seguir, o do curso que a água tomava ou não. Não importava qual caminho a ser escolhido - o esgoto era abafado e com corredores estreitos e arqueados. A iluminação das duas tochas revelava que a água era praticamente negra, e alcançava quase a cintura dos pequeninos.

A dupla seguiu silenciosamente contra a correnteza, dobrando algumas curvas e imaginando o que poderiam encontrar à frente. O grupo da maioria, que seguira na direção oposta, logo alcançou uma galeria maior na qual o corredor que percorriam desembocava. A galeria possuía partes mais elevadas em ambos lados, de modo que todos puderam sair da água mal-cheirosa. Não sabiam o que podiam encontrar ali, e nenhum sinal do "ladrão" havia sido encontrado ainda, a não ser por uma suspeita sacola de estopa jogada no caminho, que guardava alguns pedaços de carne salgada... Ocorre que ninguém sabia qual significado do som trazido pela escuridão além: um som comprido e "surdo" de barras de ferro vibrantes ecoando no ar...



A dupla continuou em uma semi-escuridão apenas iluminada pela tocha trazida pelo monge. A despeito da água nos joelhos, caminhavam silenciosamente. Sabiam que somente os ouvidos muitíssimos treinados poderiam ouví-los, pois as trovoadas ecoavam como surdos de guerra nas galerias. Mais a frente tiveram uma idéia perspicaz - como sabiam que o chão era escorregadio devido ao acúmulo de lodo, certamente os passos de um fugitivo marcariam o chão sob a água. Portanto, quando encontraram o início de uma suave ladeira, abaixaram a tocha próximo à água e perceberam que não havia nenhuma marca. Souberam, então, que o "ladrão" fugira pelo lado escolhido pela maioria. Logo decidiram voltar.


O grupo da maioria, composto por Lokky, Anton, Breath e Crecktill, se encontrava em uma galeria maior, cujo leito era ladeado por duas "calçadas" estreitas. Assim que os companheiros notaram aquele curioso saco jogado, ouviram sons guturais e um "tentáculo" dobrando a esquina de um corredor à esquerda. Rapidamente, o guerreiro Anton pegou a sacola e tirou de seu interior um naco de carne crua, jogando-o no leito da galeria. O tentáculo, então, acompanhou a "comida", trazendo consigo o corpo asqueroso de uma bizarra criatura do tamanho de uma vaca. De sua boca repleta de dentes parecia sair uma palavra - repetidas vezes - "- Gar-ne... Gar-ne..."


O grupo parou um pouco e, escutando o ecoar das trovoadas e o som surdo como se fosse uma barra de ferro sendo batida contra algo, decidiu analisar se aquela criatura, o saco com carne e os dois caminhos à seguir estavam relacionados. Porém, o tempo urgia, e, mais uma vez, o grupo foi dividido, tendo Lokky seguido Crecktill à esquerda, e o guerreiro e o mago à frente. O paladino, que trazia a única tocha do grupo, logo percebeu que a divisão não duraria muito tempo quando viu que mais dois sacos de estopa estavam apoiados contra a parede do corredor que havia seguido. Neste interim, o som das barras, que confundia os ouvintes na galeria principal, dali era ouvido com maior clareza, indicando que ele provinha deste mesmo corredor. Assim, o paladino e o gnomo, este de olhos arregalados, correram, ansiosos pelo que poderiam encontrar à frente...



A outra dupla, composta pela pequena Pérola e o oriental Keiichi, a essa altura, já tinha chegado à galeria principal, bem a tempo de notar que Anton e o mago pareciam voltar, e corriam em direção a um corredor à esquerda...



Para o paladino e o gnomo, o som aumentava a medida que corriam, até que a luz da tocha revelou da escuridão uma cena que explicaria tudo: um homem encapuzado estava preso sob uma "gravata" proporcionada pelo braço de uma outra pessoa. Esta, por sua vez, estava do outro lado das barras de ferro enferrujado as quais separavam ambos. Os dois envolvidos rosnavam e lutavam ferrenhamente por suas vidas. Crecktill não pensou duas vezes antes de enganar ambos com um feitiço que criou imagens de um caleidoscópio estroboscópico no ar. Os dois homens amoleceram os braços e a cabeça, deixando o êxtase da magia tomar conta de suas mentes. Com as coisas um pouco mais calmas, Lokky, ao iluminar o local, notou que havia uma grande adaga no chão, e que o reduto no interior das grades possuía não mais que dois metros de largura e três de comprimento. Este espaço cedia lugar a uma escada de pedra que subia e findava em uma porta de ferro semi-aberta para dentro. De lá, uma luz amarelada de lampião derramava-se sobre os degraus, criando um facho tênue de luz que escorria abaixo até encontrar o chão úmido e sujo do esgoto.

(Teste de Resistência para leitores: Vontade. Classe de Dificuldade 19. Fracasso; continuará extasiado por 1 rodada, parará de ler o diário por 2 rodadas e terá vertigens com a visão periférica durante 5 rodadas.)


Última edição por Igor em Ter Nov 02, 2010 8:12 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 8:03 pm

Agilmente, a ladina e o monge correram para o mesmo corredor, se encontrando, finalmente, com o restante do grupo em um momento apreensivo. Ambos, no entanto, não deixaram de notar que a criatura presente na entrada do corredor poderia gerar algum risco. Criatura esta que Pérola identificou como uma "lixeira de esgoto", conhecida como otyugh.

A pequena ladina rapidamente passou pelo estreito espaço da "calçada" entre Lokky e a parede, se enfiando entre os dois sujeitos enfeitiçados. As barras de ferro eram estreitas demais para que um homem passasse entre elas, mas não para uma ladina halfling. Dali, ela pôde notar que o homem de dentro usava trajes finos e alvos, e portava uma algibeira e uma espada presas a um fino, porém trabalhado, cinto de couro. Já o de fora, possuía apenas uma algibeira amarrada às calças e usava botas e roupas surradas. Antes de deixar aquela situação, Pérola, em uma graça felina cortou o cinto do homem com sua pequena espada curta, tomando para si sua arma, bem como furtou as algibeiras de ambos.

Ocorre que, em decorrência da atenção dada a isso, notou algo que atiçaria sua curiosidade e, segundos depois, a deixaria menos preocupada: o homem de dentro, aquele que estava agarrando o suposto "ladrão", possuía uma tatuagem na palma da mão semelhante ao símbolo ostentado na capa, escudo e peito do paladino - O Olho Vigilante de Helm.



Seria um pouco menos trágico o desenrolar das coisas se a caótica ladina tivesse comunicado aos demais companheiros sobre a tatuagem, quando Anton, o guerreiro, decidiu agir...


O guerreiro, munido de força bruta, deu um encontrão no suposto "ladrão" jogando-o para o leito do esgoto. Com este movimento, Anton ficou de frente para as grades e prendeu os braços do sujeito do outro lado através das barras. Com o brusco contato gerado, a magia do gnomo foi interrompida, dando lugar à consciência plena dos enfeitiçados. Neste instante, então, iniciou-se uma luta, com o paladino tentando agarrar o "ladrão" dentro da água suja do esgoto.

Durante isto, Pérola, que já estava ao lado de Crecktill, averiguava o que havia "coletado" dos homens. Na algibeira do suposto Helmita, apenas moedas - algumas com formatos curiosos de triângulo com um corvo cunhado e de pentágono, com uma espada cunhada. Já na do maltrapilho, havia uma pequena caixa de madeira, que guardava cinco dados, e, estranhamente, duas moedas de prata do mesmo formato triangular. Quanto aos dados, Pérola soube de imediato do que se tratava - eram dados de um jogo chamado "Dice Poker" e havia apenas um lugar em Hillsfar que ele era jogado: nas docas, na suja taverna "Peitos da Sereia". Quanto às moedas, sabia apenas que não eram Hillfarianas.

Assim que Lokky agarrou o "ladrão" e este, debatendo-se, não encontrou meios de escapar, algo de inusitado aconteceu: o homem parou por segundos e, franzindo a testa e tremendo, começou a reduzir seu tamanho, tomando a forma de um bizarro e negro rato atroz. Com isso, o paladino ficou apenas com seus trajes em mãos, jogando-os de lado de imediato quando desembainhava a espada. Crecktill, enquanto isso, rapidamente pegava as roupas no chão, e obtinha êxito quando da procura pela carta que havia sido roubada.

Agora, com a carta em mãos, prender ou não o "ladrão" seria uma tarefa extra, e para Keiichi, Breath e o paladino...



Anton, quando notou a que deu causa, decidiu subjugar de vez o Helmita. No momento em que Pérola tinha se aproveitado da falta de consciência dos homens, ela aproveitara para abrir o cadeado que trancava a "porta" de barras com suas pequenas chaves ladinas. Entretanto, tal porta estava justamente entre ambos. Ocorre que o guerreiro, notando que a "porta" de barras se mexia na medida em que o sujeito preso por ele se debatia, teve a idéia de empurrar a "porta" para dentro usando a própria força do seu opositor. Assim, com o movimento inesperado de Anton, o homem perdeu completamente o equilíbrio, e se deixou levar por todo o ângulo de abertura da "porta", batendo ao final com as costas contra as barras da mesma grade na qual, anteriormente, de frente estava.

O gnomo Crecktill, por oportunismo e por ter sabido de Pérola o verdadeiro "lado" em que o homem Helmita ficaria após o conflito, julgou que o fazer dormir através de uma de suas magias era o mais sábio - e assim aconteceu, o que deu ao guerreiro a chance de focar sua atenção no homem-rato.

Keiichi, que com sua sabedoria oriental sempre observava cautelosamente o desenrolar das ações, já estava, a esta hora, no lado oposto ao fugitivo - ou seja, mais adentro no corredor em relação ao restante do grupo. E, por isso, conseguiu estar de frente para do homem-rato, agora em forma de rato atroz. Sabia que poderia atordoar até um gigante das colinas apenas com um de seus chutes. Então, canalizando seu ki, golpeou a criatura com um chute certeiro, fazendo-a ficar trêmula e paralisada de dor por alguns segundos.

Vendo isto, o paladino pegou as roupas do metamorfo, que agora estavam vazias, e tentou "embrulhar" o grande rato agonizante com as mesmas, o que teria sido uma boa idéia se não fosse pelo seu estado temporário de paralisia...



Assim que Lokky prendeu o "embrulho" entre seus braços, o homem-rato se recuperou da dor, e, mais uma vez, se transformou, acabando com qualquer tentativa do paladino de continuar prendendo-o daquela maneira. Porém, desta vez transformou-se para sua forma híbrida.

Breath e Anton decidiram agir. Aquele usando mísseis mágicos, que iluminaram o ar e acertaram o peito do metamorfo, e este com sua espada. O monge sabia que armas, mesmo mágicas, se não fossem de prata, não surtiriam efeitos duradouros. Ocorre que desta vez o homem-rato se encontrava em uma situação desesperadora, e, acuado e nu, decidiu lutar, ferindo o monge e o guerreiro com suas garras e mordida.

De imediato uma preocupação surgiu na mente de Keiichi, que conhecia bem essas criaturas por serem comuns em sua terra de origem. Sabia que poderiam ser infectados com a doença propagada pelos metamorfos... Mas aquela não era uma boa hora para criar alardes.

Em seguida, a criatura tentou fugir, mas não encontrou muito sucesso quando tentou passar pelo monge - agora um tanto irritado. Com outro chute e este nas costelas abaixo do braço, o homem-rato se viu empurrado para a parede. Foi quando Crecktill decidiu dar um basta, e conjurou mais uma magia de sono, torcendo para que aquele tipo de criatura não tivesse nenhuma resistência ao encantamento. E de fato não tinha. O ser acabou dormindo, ali mesmo...

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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 8:29 pm

Depois de tudo, o grupo, calmamente, decidiu levar a criatura para um interrogatório, bem como o Helmita, que, depois de cessada a magia de sono, ao ver o paladino, fez o cumprimento típico de devoção à Helm.

Os companheiros decidiram descobrir aonde levava a escada de pedra. Afinal de contas, levar um prisioneiro no ombro, um estranho ao lado e passar pela criatura "multifacetada de cheiro nauseabundo"(® Kio), tudo isso ao longo da galeria do esgoto, não era uma boa idéia. O paladino fazia diversas perguntas ao suposto devoto de seu deus, mas acabou convencido que realmente se tratava de um. Assim que subiram as escadas, saíram em uma despensa com caixas e muitas prateleiras repletas de poeira. Havia uma escada com degraus de madeira que subia para o andar de cima. O chão e as paredes eram de pedra, e um lampião estava pendurado em um prego numa das colunas de madeira. O teto era de tábuas que possuíam frestas revelando parcialmente o andar de cima.

Quando perguntado, o Helmita, que se chamava Soantir, disse que a construção acima era uma capela compartilhada entre a religião de alguns deuses. Disse também que estava no esgoto simplesmente por ter escutado um barulho muito alto e estranho vindo dos fundos. Quando foi averiguar, percebeu que tinha uma pessoa nas grades, e que acabou puxando-o e o forçando a abrir a mesma - um ladrão de igrejas. O grupo, um pouco desconfiado, decidiu conversar ali mesmo e supor o que poderia estar acontecendo. Mas isto, claro, longe dos ouvidos de Suantir. O guerreiro Anton, então, colocou o homem-rato no chão. Ocorre que Crecktill estava abismado pelo fato de sua magia de sono ter terminado e seu alvo continuar dormindo - no mínimo curioso. Pérola subiu com o Helmita para averiguar se tudo estava em paz na parte cima.

Porém, quando o paladino foi averiguar se o homem-rato estava morto, um ligeiro movimento do metamorfo surpreendeu a todos... Com um salto, o metamorfo atacou o pescoço do paladino, que por sorte de usar uma armadura pesada, sofreu apenas um arranhão. Em seguida, o homem-rato se transformou em rato atroz e correu escada abaixo, uma vez que tinham deixado a porta de metal aberta. Em vão, Crecktill tentou outra magia de sono. Breath e Keiichi desceram correndo atrás da criatura, mas viram que era tarde quando ela saltou para dentro da água escura do esgoto. Agora só restava aos companheiros subirem para o andar no qual Pérola estava, e, juntos, lerem a carta do Guardião da Chama do Sul.


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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 8:38 pm

Os companheiros, ainda excitados com o desenrolar dos acontecimentos, guiados por Pérola, foram em busca de "Spewgold".


"O Prego Enferrujado" era uma taverna mais ao centro de Hillsfar, ainda que próxima ao muro no lado leste. Por conta de sua localização, atraía apenas fregueses residentes na cidade, uma vez que qualquer viajante ou caravaneiro se hospedava ou freqüentava as estalagens ou tavernas no quarteirão do portão. A taverna possuía uma estreita varanda de madeira, que sustentava uma tabuleta velha. Não havia música. Apenas o falatório brando de seus fregueses. A iluminação interna era azulada, graças a queima de folhas de "folhazul", o que dava um clima distinto ao lugar. Por conta disso, muitas mesas ficavam mal iluminadas, o que se tornava um atrativo para alguns freqüentadores.

Pérola tentava descobrir quem era o tal "Spewgold", quando, ao mostrar seu pingente com o símbolo da sociedade para o taverneiro, escutou um chamado em sua orelha. Ao se virar, viu um sujeito nas sombras acenando. A conversa foi breve. Spewgold, para sua surpresa, era um gnomo. Possuía uma fina barba, trajava-se com roupas elegantes e fumava um cachimbo com fumo de trufas de avelã. Com seu senso de humor irônico, falou que quem seria executado no dia seguinte era um capitão dos Plumas Vermelhas, e que, por alguma razão, o motivo da execução era forjado, logo, um engodo para algum propósito. Spewgold não disse como obteve aquela informação, mas disse que estaria investigando mais a respeito. Pediu que o grupo também investigasse, mas que tomasse cuidado para não chamar atenção, pois não sabia quem estava por trás de tudo. Quando perguntado sobre o nome do capitão, obteve como resposta Elesil Redwolf.



Quando retornaram para o prédio de dois andares no qual se situava a base da célula dos Vigilantes da Chama, perceberam que Sursis estava muito ansioso pela chegada do grupo e por notícias. O mensageiro estava sentado à mesa com a cabeça baixa e havia pouca lenha na lareira. Apesar do frio, a afligido pelo veneno estava com sua camisa encharcada de suor. Após esperarem o clérigo, que agora pôde ir atrás de algum antídoto ou ungüento, retornar, relataram tudo que ocorrera, em detalhes. Pérola, então, mostrou ao grupo as moedas que havia "coletado" dos dois homens. Anton e Lokky rapidamente as reconheceram como moedas do reino do comércio - Sembia. Além disso, mostrou também uma adaga muito comprida e, segundo Anton, que trabalhava com forja, era feita de prata pura. Quando contou sobre a conversa que tivera com o gnomo, Lokky acabou reconhecendo aquele sobrenome - Redwolf - como o nome de uma companhia mercenária que prestava serviços a uma guilda de anões mercadores em Hillsfar.

Agora, conhecedores de alguns fatos e informações, começaram a traçar o próximo plano, bem como supor respostas às perguntas que surgiram. Aquele Helmita, chamado Soantir, tinha alguma relação com o homem-rato, uma vez que possuíam moedas do mesmo reino? Por que e para quem roubariam a carta? De que maneira o engodo estava relacionado com a traição ao Primeiro Lorde Maalthiir?

Sabiam que na manhã seguinte o capitão dos Plumas Vermelhas da companhia das docas seria executado em praça pública - e com a presença do Primeiro Lorde. Assim sendo, sugerido pelo guerreiro, imaginavam como resgatá-lo. Porém, o monge, Hajime Keiichi, sabiamente, deixou uma frase no ar que faria o restante do grupo pensar.

"- Lembrem-se que, além de colocar em risco suas vidas, esta empreitada coloca em risco um dos maiores trunfos que esta companhia conseguiu: o sigilo sobre sua própria existência."
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Terceira Sessão.

Mensagem por Igor em Ter Nov 02, 2010 9:51 pm

Terceira Sessão:

O tempo era curto para os companheiros. Todos temiam dar um passo em falso no começo das investigações. Porém, com as poucas informações que detinham, deveriam arriscar. Pérola e Anton sabiam onde ficava a taverna "Peitos da Sereia". Decidiram começar por lá - por aquele barulhento e malcheiroso lugar nas docas. A chuva não dava trela. Relampejava, trovejava, e mais água caía. O grupo foi dividido para não chamar a atenção dos Plumas Vermelhas, que passavam vez ou outra em trios, subindo e descendo as ruas. O ponto de encontro seria a praça do portão - e diga-se, do único. Dali era possível olhar para trás e ver a cidade acesa galgando colina acima, até chegar no seu cume - no palácio do Lorde Maalthiir, chamado curiosamente de Prumo da Rapina. Muitas das casas nobres ficavam no distrito mais alto e seguro de Hillsfar, de onde era possível ver a pobreza vassala infestar as ruas abaixo no mercado com suas multidões diárias. Dali da praça, as muralhas se avultavam com seus 40 pés (12 m) de altura que enclausuravam uma metrópole de dezenas de milhares de habitantes.


Todos os companheiros portavam um documento que comprovava a moradia na cidade-estado. Sabiam que sair da cidade sem ele lhes custaria duas peças de ouro, quando da volta para Hillsfar. Qualquer um que desejasse entrar na metrópole sem um documento prévio cedido pela chancelaria deveria pagar aquela taxa, bem como ter seu nome escrito no Diário dos Estranhos - e, diga-se de passagem, os Plumas Vermelhas são auxiliados por aprendizes arcanos com varinhas mágicas de detectar mentiras.

Após conversarem com os soldados da casa-portão, que portavam armaduras médias e armas pesadas, como alabardas e manguais, o grupo estava do lado de fora da cidade. Hillsfar ficava no alto de um pequena colina rodeada de árvores baixas e arbustos rasteiros. De seu portão uma ponte descrevia uma ladeira abaixo. Suas colunas arqueadas mal eram vistas, pois se camuflavam por causa das trepadeiras e do matagal alto. Dali de cima a visão da vila do porto era magnífica. Este ficava na parte mais interna da baía Tailing - as águas que banhavam estas margens. Dezenas de navios estavam ancorados, com suas luzes acesas pela tripulação que não viera para provar dos prazeres do cais. Muitas outras embarcações estavam atracadas, e, apesar da chuva, o movimento ainda era intenso, como se ansioso pela manhã.

Lokky não tinha sua morada em Hillsfar. Ele presidia uma pequena capela de Helm no bromnado de Krennivar, a meia tarde de cavalgada do centro. Assim, com as constantes visitas à metrópole, acabava por acompanhar o movimento na baía e no porto. Ocorre que ele nunca tinha visto um movimento tão intenso desde sua chegada, há seis meses. Depois que desceram e se embrenharam nas ruas enlameadas e sem paralelepípedos, perceberam que os trabalhadores carregavam, amontoavam e despachavam sacos de grãos em várias carroças.


Parecia que aquela movimentação toda tinha algo a ver com a alta dos preços dos grãos em Hillsfar nas últimas duas dezenas. Centeio, trigo e veia estavam em falta na maioria dos empórios, e a cerveja estava ainda mais cara nas tavernas mais requintadas. Certamente isto se dava em razão da campanha de Maalthiir por Yûlash - que, segundo o Guardião da Chama do Sul, parecia estar fadada a um fim trágico. Não é mistério que manter um exército longe de casa gera um custo alto em provisões. Porém, preço estava saindo ainda maior, pois, em virtude de estar o exército sitiado, os carregamentos não estavam chegando ao destino sem o intermédio de uma ordem de Ilmateritas, que cobrava caro pelo transporte através do subterrâneo em forma ouro e provisões, estas cedidas à própria população da cidade de Yûlash, que sofria com os efeitos da guerra. O outro meio para atravessar mercadorias pelas filas zhentilares era o pagamento de altos pedágios ou subornos - destas formas, esta a mais comum.



Depois de pouco andar pelas vielas da vila do porto, avistaram os altos mastros dos navios atracados, bem como sentiram o cheiro característico dos mares - o que fazia Pérola ter certeza que a taverna estava bem por ali. Os trabalhadores não paravam de carregar sacas nas costas mesmo durante a chuva que caía - certamente os mercadores marítimos queriam descarregar logo suas mercadorias antes que estragassem devido à umidade, e não fossem compradas por Hillsfar. Agora a pequena ladina entendia porque muitos comerciantes estavam chamando o tempo chuvoso de amaldiçoado - não era bom para os negócios. A praça na qual estavam era bem iluminada por lanternas furta-fogo penduradas e muitas tochas, que queimavam com cera de carvalho. Mas a halfling sabia que a taverna era numa rua menos movimentada dos fundos, mas uma vez lá, ainda seria possível ouvir os gritos e falatórios dos homens do porto.



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Taverna The Mermaid's Bosom

Mensagem por Igor em Qua Nov 03, 2010 3:00 pm



Assim, rapidamente chegaram naquela rua. Se a companhia estivesse contando com a tabuleta da taverna "Peitos da Sereia", estariam perdidos, pois ela estava quase apagada pelos castigos do clima. Por outro lado, se se guiassem pela música...

O lugar estava abarrotado de fregueses, e dos mais diversos tipos. Marinheiros, viajantes, "aventureiros". A taverna possuía dois andares - tudo construído em madeira e alvenaria. Do segundo andar era possível olhar para baixo e visualizar o primeiro, pois uma escada na lateral sobre o bar levava àquele pavimento, que tinha várias sacadas voltadas para o centro comunal da taverna. Um grande lustre, que na verdade era um enorme leme de navio, pendia da viga-mestra do teto. A iluminação era boa, com várias velas e lampiões nas paredes. Ocorre que o cheiro, que não era agradável - um misto de suor e cerveja azeda -, abafava e impregnava o lugar, tornando-o quase infrequentável por uma freguesia burguesa.


Pouco a pouco os companheiros se separaram, sem chamar atenção. Até mesmo Lokky tinha deixado seu elmo para trás para evitar olhares curiosos. O que não aconteceu com Sursis, que trazia consigo diversos símbolos estampados de seu deus Torm. Uns foram beber cerveja, outros apenas olhar. O paladino tentou puxar assunto com alguns fregueses para obter informações sobre o helmita que tinha encontrado no esgoto lutando com o homem-rato. O fato de ele portar moedas sembianas, bem como o metamorfo, era curioso - mas vago demais para dar alguma pista concreta. Preocupado com este - e com a informação que ele tinha dados de um jogo que só era jogado nesta taverna -, deveria estar Anton, que acabou se enveredando com uma meretriz ao subir para o segundo andar - sendo observado pelo cauteloso Keiichi. Breath sentava-se numa mesa com um anão e seu companheiro bêbado, quando buscava informações sobre a execução do capitão Elesil Redwolf.

Desta forma, tudo corria bem, e os companheiros pareciam se mesclar aos fregueses. Parecia...

De repente, um estardalhaço de alguém caindo e rolando as escadas foi ouvido por aqueles menos bêbados - Anton, ao perceber que havia sido furtado pela meretriz, tentara correr atrás dela, quando foi impedido por um sujeito careca e muito suado, mais parecido com um grande leitão. O guerreiro não tinha pensado duas vezes para empurrar o homem escadas abaixo. Agora, já no salão comunal, Anton conseguiu se apressar e pegar a meretriz pelo braço para cobrar sua algibeira. Porém, o inesperado aconteceu: a mulher começou a gritar. De longe, Sursis, o clérigo, viu que o homem gordo se aproximava por trás do guerreiro, e tentou correr para evitar o pior. Mas não a tempo de evitar que seu amigo fosse atingido nas costas por um porrete. O paladino, que também acompanhou o ocorrido, chegava neste momento, e, para evitar que uma briga armada começasse e alguém saísse realmente ferido, deu um encontrão no gordo, jogando-o sobre a mesa, empurrando e derrubando mais gente atrás dele. Ocorre que a prostituta, se debatendo, acabou por convencer o clérigo que de fato teria sido violentada pelo guerreiro - invertendo a situação, fazendo-se de vítima. Durante este desentendimento, vendo que alguém estava a seu favor, a oportunista agarrou-se à capa de Sursis, implorando por sua ajuda e proteção. Com a confusão formada e muitos já em volta dos companheiros, o paladino foi acertado em cheio na cabeça por uma garrafa que o gordo segurara. No calor e na ânsia por ajudar, Breath acabou fazendo o que todos menos esperavam: conjurou espalhafatosos raios flamejantes e mísseis mágicos sobre o agressor, iluminando a taverna e os olhos de todos que assistiam. Com a atenção tomada para si, o mago viu um homem estocar o guerreiro com um profundo ferimento nas costas, só para ser talhado no peito pela espada vingativa do clérigo de Torm.

Cessado o alvoroço de combate, Anton quase chocou a Lokky e Sursis quando, a ver dos religiosos, tentou executar seu agressor "ladino", já nocauteado no chão pelo clérigo, mas acabou sendo impedido por uma seqüência de erros tragicômicos causados por sua quase inabilidade de lutar semi-alcoolizado. Neste momento, a meretriz já havia sumido na taverna - e com a algibeira do guerreiro.


Outro não seria o destino senão ir embora do lugar. Na mesma rua, pararam para decidir qual seria o próximo passo, uma vez que seria impossível arrumar qualquer tipo de informação agora, depois daquilo tudo. Um dos companheiros comunicou aos demais que obtera a informação que um homem com aparência similar a do metamorfo freqüentava regularmente a taverna. Ocorre que foram interrompidos por um halfling, que se apresentou como Jobbler. O pequenino de língua ágil rapidamente convenceu o grupo a partir para uma estalagem que ficava a algumas ruas atrás, em troca de algumas informações. Porém, sua chegada súbita e suas muitas perguntas e suposições sobre os companheiros logo fariam que todos ficassem um pouco desconfiados, e o abandonassem sem explorar o que teria para dizer - com exceção do paladino Lokky, que não vira maldade no pequeno ser...

Será que o grupo conseguiria informações a tempo de evitar a execução? Qual seria relação, isto é, se existisse, entre o homem-rato e o devoto de Helm? Por que moedas sembianas? Sob qual motivo e quem teria prendido Elesil Redwolf?

As respostas destas e de muitas outras perguntas serão encontradas pelos integrantes dos Vigilantes da Chama nas próximas sessões Very Happy

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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

Mensagem por davicanabrava em Dom Set 25, 2011 3:12 pm

E depois, como continua? Quem era o Capitão? e o homem-rato?
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Re: Diário de Campanha - Vigilantes da Chama (Desativado).

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